Mais do que um projeto artístico, A.V.I.S.T.A.R. é um gesto de avistamento da ilha, do outro, da cultura que transforma paisagens e relações, deixando pegadas de criatividade, comunidade e diálogo entre passado e futuro.
Nesta residência de formato especial, um(a) artista ou coletivo artístico é convidado(a) a desenvolver uma proposta criativa enraizada no território, em colaboração ativa com a comunidade local. O projeto desenrola-se ao longo de várias residências, permitindo um processo continuado de escuta, criação e partilha.
O objetivo é juntar habitantes e profissionais em torno de um propósito artístico comum, promovendo a coesão social e a participação colectiva, e culminando num resultado final que possa ter impacto duradouro ou utilidade para a comunidade.
Com os artistas TIMECIRCUS nasce a ideia de criar pontes, não de pedra ou ferro, mas de madeira, cultura e imaginação , entre as ilhas do triângulo açoriano. É um projeto de criação e mostra em movimento que respira a paisagem, os saberes e as mãos que habitam estas ilhas onde estruturas modulares e sustentáveis surgem como cenários para encontros artísticos e culturais, construídas em conjunto por um coletivo multidisciplinar de artistas oriunda da Bélgica e pela comunidade local.
As construções artísticas criadas pelo coletivo, a Vigia da Baleia e o Templo de Inspiração, integram hoje, de forma orgânica, a paisagem vulcânica que as acolhe. Mais do que estruturas físicas, são espaços vivos, concebidos a partir da energia do território e ativados por performances ao vivo que cruzam arte, ritual e celebração coletiva.
Enraizadas na matéria bruta da ilha e abertas ao horizonte atlântico, estas obras tornaram-se pontos de encontro e de criação partilhada. Funcionam como palcos de atividades culturais que aproximam artistas e comunidade, promovendo momentos de expressão, escuta e participação. Ao longo do tempo, deixaram de ser apenas intervenções artísticas para se afirmarem como lugares de pertença — cenários onde a memória, a imaginação e o quotidiano se entrelaçam, fortalecendo o vínculo entre cultura e território.
O processo criativo é um convite à participação: oficinas e residências artísticas dinamizadas por profissionais capacitam a comunidade para olhar, tocar e reinterpretar o seu próprio património histórico, transformando-o numa expressão contemporânea, funcional e duradoura. A cada martelada, a cada pincelada, cada ilha torna-se palco de criação, cada participante, coautor do futuro cultural do seu território.
No coração do projeto estão duas construções modulares: uma fixa, o TEMPLO, e uma móvel, a VIGIA, feitas em madeira local de criptoméria e inspiradas na arquitectura tradicional açoriana. Mais do que estruturas ou instalações artísticas, elas se tornam cenários vivos, espaços para apresentações, exposições e oficinas, integradas harmoniosamente na paisagem, mas abertas à contemporaneidade.
A construção fixa permanece como testemunho duradouro deste processo, enquanto a móvel garante a flexibilidade de acolher diferentes expressões e formatos. Juntas, elas funcionam como observatórios de um avistamento social e cultural, onde se contempla não apenas a paisagem, mas também os encontros, as trocas e os afetos que emergem entre as ilhas.
Estas criações são um testemunho vivo de como é possível unir arte e comunidade, reunindo pessoas de dentro e de fora da ilha para criar coletivamente. O projeto demonstrou a força do coletivo na criação artística, mostrando que a colaboração enriquece o processo criativo e fortalece os vínculos entre os participantes. Além disso, promove o acesso à cultura e valoriza a cultura local, oferecendo um olhar renovado sobre tradições, encontros e trocas que emergem entre as pessoas e com o lugar onde vivem.
Ao longo de 3 residências artísticas, Num total de 2 meses de permanÊncia no territorio, o coletivo TIMECIRCUS, composto por 21 artistas, viveu e trabalhou no Capelo, transformando o espaço da AVISTAVULCÃO num verdadeiro laboratório de criação. Entre eles havia construtores, músicos, cenógrafos, designers, cozinheiros e até pescadores, uma comunidade artística vibrante que trouxe nova energia e imaginação ao lugar.
A metodologia do projeto A.V.I.S.T.A.R. assenta num processo de criação coletiva desenvolvido ao longo de dois anos, estruturado em etapas complementares que articulam investigação, capacitação, criação artística e ativação pública. Trata-se de um percurso progressivo, onde o fazer artístico emerge da relação contínua entre artistas, território e comunidade.
As residências artísticas funcionam como momentos-chave do processo. Organizadas em diferentes fases, permitem aos artistas trabalhar de forma aprofundada, em estreita relação com o território e com as equipas locais. Os grupos de artistas alternam consoante as etapas do projeto, garantindo flexibilidade, diversidade de abordagens e uma presença contínua ao longo do tempo. Esta permanência prolongada favorece relações de confiança, colaboração e coautoria com a comunidade.
A primeira fase do projeto foi dedicada à pesquisa, à observação do território e à construção das bases conceptuais e materiais que viriam a orientar todo o processo criativo. Esta etapa inaugural assumiu-se como um tempo de escuta, de circulação e de impregnação da identidade cultural e paisagística das ilhas do Triângulo Açoriano.
A segunda fase do projeto corresponde a um momento de aprofundamento do processo criativo, de consolidação das relações entre o coletivo artístico TimeCircus, o território e a comunidade local e palanificação da concretização das obras.
A terceira fase do projeto corresponde ao momento de materialização do processo iniciado nas fases anteriores. É aqui que a pesquisa, as relações construídas e a escuta do território se transformam em gesto, corpo e matéria. Esta etapa culmina na vinda à ilha de todo o coletivo artístico, equipa de 21 pessoas, para concretização das construções artísticas, da sua ativação pública e realização de performances ao vivo que este ano foram integradas na celebração anual da erupção do Vulcão dos Capelinhos edição nº5.
Não há palavras suficientes para agradecer a amizade, entrega, criatividade, generosidade e alegria de viver que todos deixaram aqui no Capelo:
Dajo, Gaelle, Bram, Tom, Sig, Jef, Lotte, David, Alex, Florence, Sarah, Sebastiaan, Griet, Charlotte, Ellen, Sven, Jasper, Johan, Sanders, Zoe e Saar... e, claro, Horsi & Flip!
A inauguração do Templo de Inspiração assinala a abertura de um novo espaço de criação e encontro, celebrado através de performances ao vivo do coletivo TIMECIRCUS. Mais do que um momento inaugural, trata-se de um rito de ativação: um gesto artístico que convoca a comunidade a habitar o espaço, a escutá-lo e a transformá-lo em lugar de partilha.
Com a sua linguagem singular, que cruza teatro físico, música, intervenção plástica e celebração coletiva, o TIMECIRCUS dará vida ao Templo, revelando-o não apenas como estrutura arquitetónica, mas como organismo sensível, moldado pela presença humana e pela energia do território. A inauguração afirma, assim, o Templo de Inspiração como palco aberto à imaginação, à experimentação e ao diálogo contínuo entre arte, natureza e comunidade.
O processo criativo passo a passo:
TEMPLE OF INSPIRATION, uma criação inspirada na arquitetura e nas paisagens açorianas, pretende ser uma homenagem à ligação histórica entre a comunidade local e a natureza envolvente e destina-se a ser um espaço dedicado à criação artística numa zona rural e concebida com base nos valores de partilha, contemplação e conexão com o território.
As pessoas e os territórios que os acolhem são a principal fonte de inspiração para as instalações dos artistas, que sejam pequenas ou de grande escala, as criações distinguem-se sempre pela originalidade, pela utilização criativa de materiais disponíveis localmente e pelo envolvimento ativo das comunidades.
Arte sustentável e a força do colectivo : madeira, ferro, janelas, paletas, bobines, árvores, canas e ainda almoços, jantares, vejas, sargo, boca-negra, aguardente, música e amizade
O objetivo é valorizar os recursos que o território oferece, integrando-os de forma criativa e consciente no processo artístico.
Trata-se de um trabalho profundamente contemporâneo, que convida à reflexão sobre questões urgentes do mundo atual, como os desafios ambientais e a importância da inclusão e da diversidade social. Ao mesmo tempo, é uma criação profundamente humana e é através da força do coletivo que se torna possível projetos de maior escala e impacto.
A inauguração da Vigia da Baleia celebra o nascimento de um novo marco na paisagem e na vida cultural da comunidade. Erguida em diálogo com o horizonte e com a memória ancestral da observação das baleias, esta estrutura afirma-se como ponto de contemplação, encontro e criação.
O momento inaugural é assinalado por uma performance de participação coletiva, concebida como gesto simbólico de ativação do espaço. Através do movimento, da voz e da presença partilhada, a comunidade é convidada a integrar-se na obra, transformando-a num lugar vivo, habitado e significativo.
Mais do que uma cerimónia, a inauguração propõe um ritual contemporâneo: um encontro entre arte e território, onde cada participante contribui para dar sentido à Vigia da Baleia, inaugurando não apenas uma estrutura física, mas um espaço de pertença, memória e futuro coletivo.